sábado, 15 de março de 2014

Alunos de Música da Cooperativa Ludus - Conversas com Versos (Roda, 19??)

sacar

01. Consulta
02. Pulos
03. Cantilena
04. O Nariz

só a cantar: Helena e Alexandra
a cantar e a tocar: Maria da Graça, Margarida, Inês, Paula, Susana, Maria João
só a tocar: Miguel, Manuel, José Manuel, Fernando Davide

instrumentos: matracas, tamborete, pandeireta, triângulo, pratos, sistro, jogo de sinos soprano, jogo de sinos contralto, metalofone soprano, metalofone contralto, xilofone soprano, xilofone contralto, xilofone baixo, dois timbales, flauta de bisel e guitarra

letras: Maria Alberta Menéres
música e direcção musical: Jorge Constante Pereira

No final dos anos '50, à medida que se avolumavam as dúvidas sobre as virtudes pedagógicas da Mocidade Portuguesa e instituições afins para o são desenvolvimento das criancinhas, um crescente número de pedagogos, escritores e professores começou a explorar as potencialidades da Educação Pela Arte - um movimento internacional que já desde a década de '40 entusiasmava os países ligeiramente mais civilizados da Europa. Em Portugal, foi Calvet de Magalhães o grande impulsionador, ajudando a fundar a Associação Portuguesa de Educação pela Arte ainda em 1956 (com Almada Negreiros, João dos Santos, João de Freitas Branco, etc.) e defendendo infatigavelmente essa causa ao longo das décadas seguintes.
Depois da Fundação Calouste Gulbenkian ter entrado no barco com a criação do Centro de Investigação Pedagógica, Calvet de Magalhães e uma série de educadores, artistas e escritores cria em 1967 a Cooperativa Ludus - Círculo de Realizações para a Infância e a Juventude. À frente das várias secções da Ludus estava gente importante - Glicínia Quartin no Teatro, António Torrado no Cinema e Mário Castrim nos Audiovisuais, por exemplo - mas o que nos interessa para este disco é que, no Núcleo do Norte, quem mandava era Jorge Constante Pereira. Na cidade do Porto, Constante Pereira tinha aprendido música na escola Parnaso (outro projecto educativo arrojado) onde conhecera outro aluno, José Mário Branco, com quem formou a sua primeira banda, os Faithful Boys. Assim, enquanto que os restantes núcleos da Ludus privilegiavam a literatura infantil e a expressão plástica, Constante Pereira pôs, como seria de esperar, as crianças a fazer música. Selecionou quatro poemas do livro que Maria Alberta Menéres tinha acabado de editar (também chamado "Conversas Com Versos"), compôs músicas e fez arranjos para aqueles instrumentos que - por razões que os pedagogos saberão melhor - as crianças estão condenadas a tocar: xilofones, flautas de bisel, pandeiretas, ferrinhos e restante arsenal. O resultado final é decididamente música para crianças, tocada por crianças, mas fica bem claro que quem orientou o processo criativo o fez de forma muito séria. Bem mais lúdico do que as experiências gélidas da disciplina inglesa recentemente documentadas em Classroom Projects, mas ainda longe da abordagem frique e hiper-emocional do famoso The Langley Schools Music Project, a música dos alunos da Ludus parece ter sido concebida e ensaiada com rigor mas, ao mesmo tempo, preservando um espaço para a esponaneidade e informalidade na sua execução. Não é uma sonoridade que toque as fronteiras do exótico, mas aqui e além há umas ousadias mais surpreendentes e, acima de tudo, a escolha dos instrumentos, a austeridade de alguns arranjos e as próprias condições de gravação contribuem para criar um ambiente algo creepy que paira sobre estes quatro temas.
A experiência da Ludus duraria pouco tempo, finando-se, salvo erro, cinco anos depois de começar (o que coloca este disco não datado algures entre 1968 e 1972). Mas os frutos perdurariam: Susana Ralha, aluna da Ludus, fundaria o Bando dos Gambozinos, onde Constante Pereira também teria um papel fundamental e com o qual José Mário Branco também colaborou; Sérgio Godinho estabeleceria uma parceria duradoura com Constante Pereira, nos Amigos do Gaspar, A Árvore dos Patafúrdios, e outros projectos; os mesmos poemas de Maria Alberta Menéres seriam outra vez musicados por Constante Pereira nas Cantigas de Ida e Volta. E quem souber de mais colaborações entre esta gente que o diga, por favor, que é para eu ir completando os meus ficheiros.

2 comentários:

fff disse...

anda tudo ligado - e de quem ´a capa?

Discos Com Sono disse...

Não há informação sobre o autor da capa ou das ilustrações. Mas é bastante engraçado, lá dentro tem pequenas adaptações a BD dos 4 temas.