segunda-feira, 26 de março de 2012

Ana e Suas Irmãs – Nono Andar (Transmédia, 1988)



sacar

01. Nono Andar (uma Ana)
02. Nono Andar (um instrumental)
03. Nono Andar (outro instrumental)
04. Nono Andar (outra Ana)

música, letra e produção – Nuno Rodrigues

Foram precisos quase quatro anos para este blog se aventurar pelo Festival da Canção, o que me parece um esforço de resistência bastante meritório. E, se não fosse o meu fascínio irracional por cantores anónimos e mascarados, provavelmente este disco nunca viria cá parar. É que, nos idos de 1988, Nuno Rodrigues (ex-Banda do Casaco convertido em compositor para tudo o que era cançonetista ligeiro) teve a inusitada ideia de concorrer ao Festival com uma cantora de mascarilha, de biografia fantasiosa e descaradamente inventada, cuja identidade continua hoje em dia desconhecida (provavelmente porque ninguém está minimamente ralado com isso). A estratégia não foi suficientemente estapafúrdia para ganhar o primeiro lugar, mas resultou neste disco que multiplica o tema original por quatro e nos dá uma boa razão para o tocar – a “outra Ana” que canta a último versão de Nono Andar, e que é a Né Ladeiras. É certo que, se não fosse a Nezinha, não havia muito por onde redimir esta canção mediana. Mas também não há como negar o apelo daquele aroma adocicado, com um ligeiro travo a decomposição, que continua a emanar de certo nacional-cançonetismo dos anos 80. O projecto Ana e Suas Irmãs tentou espremer o que restava desse filão, provavelmente tarde demais; hoje em dia, o máximo a que se pode candidatar é a guilty pleasure daqueles que, quando tudo o resto falha, sabem que podem encontrar consolo no bafiento e nebuloso útero oitentista.