segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Los Humillados / Rua do Gin / The Barbie Lovers / H.I.S.T. (Grabaciones Góticas / Facadas na Noite, 1990)



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01. Los Humillados – Tormenta Sobre la Piel
02. Rua do Gin – A Casa em Frente
03. The Barbie Lovers – Ultimatum
04. H.I.S.T. - His Nightmare

LOS HUMILLADOS
Artur Rios – voz, teclados, harmónica, guitarra
Ester Subirana – teclados
Javier Carnicer – letra

RUA DO GIN
Tó – voz
Paulo Trindade – guitarra, ritmos
Marinheiro – baixo
Casa das Máquinas – ritmos

THE BARBIE LOVERS
Big Ken – sintetizadores, fita magnética, computador
Kenny B – sintetizadores, fita magnética

H.I.S.T.
Eurico Coelho – voz, ritmos, programas
Abel Raposo – baixo, guitarra
Miguel João – programas, ritmos

Em 1990, o vinil chega para a Facadas na Noite como o prenúncio do fim. A editora bracarense, que até então se dedicara exclusivamente a divulgação da música electrónica/industrial no suporte cassete, alia-se à Grabaciones Góticas, de Barcelona, para produzir um EP com quatro bandas. As bobinas com as gravações das bandas portuguesas são enviadas para Espanha mas perdem-se no caminho (ou são roubadas, dependendo de quem conta a história) e o single acaba por sair com gravações de recurso tiradas de uma cassete manhosa, soando manhosamente a uma maquete gravada na garagem. A odisseia acabaria por ter consequências funestas para a Facadas na Noite, que terminaria pouco depois, e provocaria telenovelescos atritos entre a movida alternativa de Braga.
Suspeito, no entanto, que a qualidade sonora não resgataria este disco para a posteridade, mesmo se as gravações tivessem chegado incólumes ao seu destino. A contribuição dos Rua do Gin (já sem o vocalista Paulo Sombra que cantou/berrou em “Rebeca”) é um evidente downgrade em relação ao tema gravado um ano antes para o À Sombra de Deus; os H.I.S.T., banda que sempre me pareceu chata, continuam na senda da chatice, com as suas programações sem tusa e os seus ritmos martelados; os Los Humillados cantarolam lenta e goticamente sobre as coisas que atormentam as suas góticas almas; só os Barbie Lovers mostram uma ligeiríssima pujança, sobrepondo vocalizações monstruosas a uma base sonora que, aqui e ali, tem algum interesse. Resumindo, um fim inglório para uma editora pioneira que, na cena industrial portuguesa dos anos ‘90, serviria de inspiração para outras aventuras editoriais em cassete por esse país fora (mas nenhuma com um nome tão cool quanto Facadas na Noite).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Shila – Meu Amor Pequenino (Polygram, 1981)




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01. Conto do “Rei da Noite”
02. Meu Amor Pequenino
03. A Canção do País da Vontade

Shila – voz
Mário Viegas – voz
Sérgio Godinho – voz
João Paulo – piano, órgão
Zé Carrapa – viola, cavaquinho
Zé Martins – bateria, percussão, vibrafone
Luis Duarte – baixo
Luis Caldeira – sopros
Tomás Pimentel – sopros

produção – Shila
direcção musical – Luis Caldeira

A krida Shila deixa-nos aqui com um sabor amargo na boca: ela canta bem, ela escreve as músicas todas, ela até produz o disco, mas não há nada a fazer – é a última coisa que a Shilinha editará até ao presente momento (Shilinha, se estiveres a ler isto, nunca é tarde para voltar). A despedida, no entanto, é em grande. Sob o pretexto de musicar poemas e histórias de António Botto, a Shila produz uma espécie de single conceptual em que o poeta percorre os três temas, quer como autor dos textos quer como sua inspiração. O Conto do Rei da Noite, a abrir, começa como uma história narrada pela Shila, o Sérgio Godinho e o Mário Viegas e descamba rapidamente num reggae marado movido a trompetes e saxofones. No segundo tema, que dá nome ao disco, a bela composição da Shila consegue abafar a pífia letra do Filipe La Féria (que também desenha a pífia capa), e depois o single acaba em grande festa, com a Shila ainda animada com o destino deste país “da vontade” e com a transformação “a dar-se” (em 1981? ó Shila, não me parece...). Os músicos também são do camandro, até tem o João Paulo (Esteves da Silva) que começava aqui a dar os primeiros passos fora do jazz e da música erudita, seguindo logo depois para o Sérgio Godinho, Fausto, etc. Continuo a não compreender como é que sobrevivemos nos últimos 31 anos sem um disco da Shila. Se calhar, é por causa disso que as coisas não andam bem. As petições online parece que estão na berra, proponho uma para exigir novo disco da Shila. Com o Cavaco demitido e um novo disco da Shila púnhamos este país de novo a andar.

Shila – O Burro e o Grão / Papagaio (Diapasão, 1979)




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01. O Burro e o Grão
02. Papagaio

Shila – voz
Júlio Pereira – viola, coros
Rui Reis – piano
Luis Duarte – baixo
Carlinhos Tumbadora – percussão
Sérgio Godinho – coros
Eugénio Melo e Castro – coros

arranjos e direcção musical – Sérgio Godinho

Este single da Shilinha é descendente directo daquele álbum que está lá em baixo, Cantigas de Ida e Volta. Até repete uma canção (Papagaio) que era cantada pelo Fausto no dito LP. Para os shilófilos mais atentos, nota-se que, à medida que os anos avançam, a moça canta cada vez melhor – aquela voz tremeliques com que, 4 anos antes, interpretava a Canção Para Embalar Bonecas Pobres, agora já está bem mais segura e afinada – só sobra a pronúncia. Das canções também não se pode ter razão de queixa. A direcção musical do marido Sérgio assegura que tudo corre sobre rodas, com arranjos semelhantes aos discos que o próprio fazia na altura. No lado A, O Burro e o Grão, tema original do esposo, pretende ensinar à juventude que “a nossa força é a nossa união”. Virando o disco, o Papagaio, de Sidónio Muralha e Jorge Constante Pereira, adverte a miudagem para o perigo de se confiar no dito bicho que, tal como muitas pessoas, “põe no mesmo pé coisas más e coisas boas”. Passados estes anos todos, parece óbvio que esta pedagogia cançonetista falhou miseravelmente nos seus propósitos. Nem a Shila, nem o José Barata Moura, nem o Carlos Alberto Moniz, conseguiram fazer das criancinhas que os ouviam adultos convertidos à democracia popular – a geração que ainda os lembra com uma lágrima no canto do olho sabe que é preciso comer a papa, mas pouco mais do que isso. E, bem vistas as coisas, terá sido grande ideia querer ensinar mais do que isso à miudagem quando os pais delas nem sequer aprenderam a pôr a papa na mesa?

Ode Filípica – Off... (Tesco, 1991)



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01. Time to Hell
02. Língua Morta
03. Ritual of Purity

Pedro Granja
Carlos Matos

A sério que não queria postar um disco horrível depois de meio ano sem postar nada, mas já tinha isto aqui ripado, preparado, e agora vai ter de ser. Os Ode Filípica formaram-se em 1990 em Leiria e, tal como a maioria das bandas tardo-industriais desta época, demonstram bem que o género industrial, se bem que alicerçado em sãos princípios de subversão e sabotagem, demasiado facilmente se tornou um mostruário de poses bacocas e referências estereotipadas e previsíveis. O duo de Leiria sabe-a toda: vozes à mauzão a declamar textos pomposos sobre “suffering, pain and degradation”, bidões percutidos à martelada (what else?), sintetizadores planantes e misteriosos saídos dos filmes da Hammer, e toda a restante panóplia para assustar criancinhas. Tudo isto, diz a banda, gravado no contexto das sessões Ol Facipia Dei, aparentemente uma coboiada mongo-esotérica com sete homens e sete mulheres cujo objectivo é a procura de “sensações nobres”. Mas nada de sexo, dizem eles. Já que era para gravar uma banhada destas mais valia terem aproveitado, digo eu.