quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Heróis do Mar – Heróis do Mar (EMI – Valentim de Carvalho, 1988)



sacar

01. Rossio
02. Café
03. Africana
04. Santinha
05. Abril
06. Eu Quero
07. Eu Não Mereci
08. D.F.S.
09. Passeio
10. Dor de Cabeça

Carlos Maria Trindade - teclados
Pedro Ayres Magalhães – guitarra baixo
Paulo Pedro Gonçalves – guitarras ritmo e solo
Rui Pregal da Cunha – voz
+
Tomás Pimentel – trompete
Claus Nymark – trombone
Carlos Martins – saxofone
Nucha – voz (2, 4, 7, 10)
Cristina – voz (2, 4, 7, 10)
Waldemar Bastos – voz (3)
Fernando Carvalho – voz (3)
Marco Santos – voz (6)
Jorge Bento – programação rítmica (2, 3, 4, 5, 6, 7, 9, 10)

co-produção e misturas – Carlos Maria Trindade e Amândio Bastos

As minhas desculpas por esta prolongada preguiça blóguica. Já cá andava o ripanço dos Heróis do Mar há que tempos, aqui a fermentar no disco rígido, e eu não me decidia a fazer o post. Queria voltar a postar com elogios rasgados, e estava a ver se, com o tempo, as músicas soavam melhor, as letras pareciam mais bonitas, o scan da capa ficava mais nítido. A estratégia não resultou por aí além, mas vai mesmo assim.
A poucos dias do lançamento do último disco dos Madredeus e a Banda Cósmica, vem bem a propósito o último LP dos Heróis do Mar – não, não tenciono fazer comparações, não me pagam a fortuna necessária para ouvir o novo da cena gósmica. Mas o último disco de uma banda é quase sempre um objecto mal amado, um registo de um grupo de gente em fade out, esforçando-se por reunir energia que se dissipa demasiado rápido – e neste quarto LP dos Heróis isso é demasiado evidente. Claro que, no Portugal dos quase ‘90s, estes já não podiam ser os Heróis do Mar que puseram tudo em polvorosa no início dos ’80s, os provocadores que convocam a polícia de choque para o concerto de estreia, que berram na cara do Pátria o que não dava jeito nenhum ouvir naquela altura. Os ideais quintimperistas sobrevivem ainda na mona do Pedro Ayres, mas o resto da malta já quer zarpar para Inglaterra e trocar a alma atlântica pelas promessas da nova Europa – o baterista Tozé Almeida, substituído por uma caixa de ritmos, já tinha saído depois do “Macau”.
Na música, reflecte-se o desconchavanço: o trio de metais dá a muito necessária unidade a um conjunto irregular de temas, em que óptimas canções (Santinha, Abril) alternam com algumas das letras mais patetas de sempre (Rossio, Eu Não Mereci) enroladas em excessos de pedais nas guitarras e algumas digressões curiosas pela música africana.
No capa interior, Pedro Ayres Magalhães parece reconhecer que a banda estava a finar-se: “Missão cumprida stop. Povo conhece ideal pátrio stop”, mas apetece aqui dizer que a missão dos Heróis do Mar, fosse qual fosse, já se cumprira anos antes. O que Portugal precisaria a partir de então não sei bem o que era, mas para esse peditório os Heróis já tinham dado o que podiam.