segunda-feira, 31 de maio de 2010

Saheb Sarbib & Jorge Lima Barreto – Encounters (Alvorada, 1979)



sacar

01. Talisman
02. Nightwings
03. A Canticle for Leibowitz
04. Stand on Zanzibar
05. City: Tomorrow the Dogs
06. A. Islands

Saheb Sarbib: baixo acústico e semi-acústico (02., 03.), oboé de plástico (01.), flauta clássica (04.), clarinete baixo (01.), etno-flautas (05.)
Jorge Lima Barreto: sintetizador ARP Odissey (todos os temas), piano eléctrico Fender Rhodes (01., 05.)

Gravação – Luis Alcobia
Montagem e Mistura – Luis Alcobia, Saheb Sarbib, Jorge Lima Barreto
Remistura e Direcção – Saheb Sarbib

Pois é, malta, como dizia a Laurindinha, it’s difficult listening hour. Descansem que “hora” é uma maneira de dizer, a coisa não chega aos 40 minutos e podem fazer uma pausa a meio para se refrescarem ou comer qualquer coisa. O que temos aqui é, que eu saiba, o segundo disco em que o Lima Barreto se fez ouvir, dois anos depois de ter saído o fonograma da AnarBand, em que toca com o Rui Reininho. Neste Encounters, o Reininho desaparece e surge em seu lugar o Saheb Sarbib, homem do jazz que tocou com Cecil Taylor e Archie Shepp, e filho de outro Sarbib que dirigiu big bands em Portugal nos anos 40 e 50.
Neste disco, o Sarbib é responsável pelas partes em que é preciso saber tocar – nalguns casos com resultados satisfatórios (a flauta em Stand on Zanzibar) e noutros com efeitos soporíferos (o solo de baixo em A Canticle for Leibowitz). Já o Lima Barreto não toca grande coisa, o que até pode muito bem ser um ponto a favor, a menos que o intérprete seja pura e simplesmente chato – o que é o caso. A estrela do desempenho limabarretiano são os vários registos que ele concebeu para o sintetizador ARP Odissey e que – segundo parece – patenteou na SPA (ou equivalente da altura): o registo psicokasbah de Nightwings, o libid de Talisman e principalmente o inconfundível cosmic felatio de A Canticle for Leibowitz.
Não estamos aqui para enganar ninguém e, verdade seja dita, Encounters tem momentos verdadeiramente irritantes, entediantes, exasperantes. Às vezes, esses momentos prolongam-se por temas inteiros. E às vezes esses temas inteiros têm mais de 8 minutos. Mas também há coisas boas de se ouvir: alguns registos (patenteados, claro) do Lima Barreto são realmente engraçados, o Sarbib toca realmente bem, as flautas dão quase sempre bom resultado, e o último tema, A. Island, é francamente porreiro. É dar uma hipótese aos velhotes, vá lá.