quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Banda do Casaco - Contos da Barbearia (EMI, 1978)



sacar

01. Na Cadeira do Barbeiro
02. O Diabo da Velha
03. A Noite Passada em Caminha
04. O Enterro do Tostão
05. La Pastorica
06. Malfamagrifada
07. Zás! Pás! (O Casório do Trolha)
08. Retrato d’Homenzinho Pequenino com Frasco
09. Amo Tracinho Te
10. Godofredo Cheio de Medo

Mena Amaro – voz
Nuno Rodrigues – voz, guitarra acústica, bombarda, adufe, glockenspiel, cromo harp, castanholas, flauta de bisel
Celso de Carvalho – violoncelo, sitara
Tó Pinheiro da Silva – flauta
António Pinho – voz, adufe, bombo, paus de Miranda, castanholas, pandeireta, cistros, sinos
+
Armindo Neves – guitarra acústica, guitarra eléctrica
José Eduardo – baixo eléctrico, contrabaixo
Carlos Zíngaro – violino
Rui Reis – piano, órgão, cravo
Vitor Mamede – bateria
José Barrocas – flautim
Adácio Pestana – trompa
António Reis Gomes – trompete
Rita Rodrigues – voz (06.)
Glória Luz, Guida Veloso, Cristina Janeiro, Vitor Silva, Vitor Reino, Manuel dos Santos, José Moças – coros

Produção – António Pinho e Nuno Rodrigues

Vamos deixar uma coisa bem clara: Banda do Casaco não é prog. Certo? A Banda do Casaco é muitas coisas, é milhentas coisas, antes de ser prog. Por isso, malta do prog, deixem de dar balúrdios pelos discos da Banda do Casaco, deixam de inflaccionar estupidamente o mercado, deixem de chamar a isto prog-folk ou trad-prog ou seja-lá-o-que-for-prog, e permitam, se faz favor, que os preços destes discos voltem a ser suportáveis para gente normal. Ainda me faltam quatro, e gostava de os comprar antes de bater a bota.
Esclarecida esta questão, há que reconhecer que a Banda do Casaco se encostou perigosamente ao prog no “Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos”, e em momentos ocasionais de outros discos. Mas este “Contos da Barbearia”, que saiu no ano seguinte ao “Hoje Há Conquilhas”, mostra que a Banda continuou a seguir um caminho próprio e a resistir, ainda e sempre, aos invasores – fossem eles os músicos socialmente empenhados da época que acusavam a Banda de alienar as massas ou os azeiteiros miasmas progressivos que contaminaram do exterior tantas bandas portuguesas dos anos ’70. “Contos da Barbearia” é Banda do Casaco vintage, é o bom e velho caldo de música de raiz tradicional com jazz, rasgos de pop anglo-saxónico, apontamentos avant-garde, tudo condimentado com humor e sarcasmo q.b. Uma espécie de Mutantes dos climas temperados, mais cerebrais e menos esfuziantes que os tropicais, de sobretudo e bigode em vez de biquini e plumas. Na Barbearia, os arranjos recuperam uma sobriedade que se tinha perdido nas camadas megalómanas de instrumentos sobrepostos das Conquilhas, e o resultado final acaba por ser mais palatável. Metade de temas originais, outra metade de inspiração tradicional, e temos, em pouco mais de meia hora de música, um dos discos mais equilibrados da Banda do Casaco.
A seguir, a Banda tiraria uma sabática antes de surgir renovada em 1980 – um pouco menos tradicional, um pouco mais pop – e continuar a desbravar caminho até 1984. Se isto fosse no estrangeiro, já tínhamos uma caixinha com os 7 CDs de originais remasterizados, livrinho cheio de entrevistas e ensaios, um DVD de bónus e mais não sei quantas mariquices. Como felizmente estamos em Portugal, temos masters perdidas, reedições em CD esgotadas e até um disco que nunca saiu do vinil – mesmo perfeito para o Discos Com Sono.