quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mler Ife Dada - Mler Ife Dada (Polygram, 1990)



sacar

01. Música do Homem que Anda
02. Erro de Cálculo
03. Choro do Vento e das Núvens
04. À Chuva

Sofia Amendoeira – voz
Bruno Pedroso – bateria
José António Aguiar – baixo
José Pedro Lorena – saxofone alto, clarinete baixo
Nuno Rebelo – guitarra eléctrica e clássica, voz, programação de ritmos e teclados, CD’s
+
Rafael Toral – fitas magnéticas, guitarra eléctrica (01, 04)

Produção – Nuno Rebelo

Dizia o Nuno Rebelo em entrevista não sei onde que este disco era um grito de “estamos vivos”, que era os Mler Ife Dada a erguerem o punho perante o mundo (quer dizer, perante a aldeia do pop experimentalóide português do final dos anos ’80) e a dizerem que ainda tinham um futuro brilhante. Dizia logo de seguida que se enganou e que, afinal, já estavam mortos. Mas limpemos as lágrimas e recuemos um pouco no tempo: Em 1989, Espírito Invisível, o segundo álbum dos Mler Ife Dada, já foi gravado em ambiente de ponta e mola, com os egos de Anabela Duarte e Nuno Rebelo a colidirem violentamente e a lutarem pelo espaço criativo que – não se percebe bem como – parecia ser escasso numa banda tão aventureira como os Mler Ife. Lançado o álbum, Anabela zanga-se de vez e sai da banda, gravando pouco depois, ainda num registo mlerífico, o máxi-single Subtilmente (para sacar ali uns posts abaixo).
Mas Nuno Rebelo recusa-se a deitar a toalha ao chão e recruta uma menina saída do conservatório chamada Sofia Amendoeira. Integrada a menina, vai então de gravar este disco, um empreendimento que podia ter sido bem mais esforçado – é que se trata apenas dos quatro temas mais cantaroláveis de Espirito Invisível, precisamente com as mesmas pistas instrumentais, só que com a Sofia a cantar. A Sofia até canta bem, mas não alegra. A voz é mais grave, um pouco menos expressiva, tem assim os bracinhos caídos, não salta tanto quanto a Anabela, a roupa não é tão gira. Vistas bem as coisas, não dá. A banda finda-se, para tristeza de muitos (eu próprio chorei), e deixa como último registo este disco, o mais desnecessário dos Mler Ife Dada, o mais desnecessário dos Discos Com Sono, mas ainda assim interessante para a meia dúzia de tarados que se dedicam a documentar estas coisas.