quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

V.A. – O Barco e o Sonho | Balada do Atlântico | Xailes Negros (Polygram, 1989)



sacar parte 1
sacar parte 2

01. O Bailado da Garça (José Medeiros)
02. Espelho d'Água (José Medeiros)
03. Nos Teus Olhos... um Fado (Luis Bettencourt/Rimanço)
04. Canção de Pedro F. (Paulo Andrade)
05. Os Piratas (Álamo Oliveira & Luis Bettencourt/Empty Space)
06. Chamateia (António Melo Sousa & Luis Bettencourt/Rimanço)
07. Barqueiro Velho (João Miguel)
08. Ilhas de Bruma (Manuel Medeiros Ferreira)
09. Leviatã (Luis Bettencourt/Empty Space)
10. Dores(Luis Bettencourt/Rimanço)
11. Estrela Cadente (José Medeiros)
12. Tango à la Minuta (José Medeiros)
13. Comércio de Angra (Álamo Oliveira & Anibal Raposo)
14. Cantiga da Terra (José Medeiros)
15. Gilda do Baixio (José Medeiros & Fernando Reis Júnior)
16. Maré e Natividade (Anibal Raposo)
17. Lamento (Fernando Reis Júnior & João Miguel)
18. Canção do Medo (José Medeiros)
19. O Aventureiro (Paulo Andrade)
20. Devagar (Luis Bettencourt/Rimanço)
21. Atalhos do Mar (José Medeiros)
22. Torre de Babel (José Medeiros)
23. Amores Imperfeitos (José Medeiros & Fernando Reis Júnior)
24. América (Álamo Oliveira & Paulo Andrade)
25. Meu Bem (tradicional)


Susana Coelho – voz
Piedade Rego Costa – voz
José Ferreira – voz
Carlos Medeiros – voz
Luisa Alves – voz
Vera Quintanilha – voz
Paulo Martinho – voz
Minela - voz
Aníbal Raposo – voz, viola acústica
Luis Bettencourt (Empty Space) – viola da terra, baixo, percussão, teclas, voz, viola 12 cordas, guitarra eléctrica, viola acústica
Lurdes Santos – violoncelo
Álvaro Melo – acordeão, voz, sintetizador, viola acústica
José Medeiros – piano, sintetizador, voz, percussão, viola acústica
Emanuel Ramalho – bateria
João Nuno Represas – percussão
Sérgio Mestre – flauta, percussão, sax alto
Gil Alves – flauta
Paulo Andrade – percussão, cavaquinho, viola acústica, voz
Henrique Ben-David – percussão
João Miguel – viola acústica, percussão
Luis Bettencourt (Rimanço) – viola acústica, voz
Francisco Ribeiro – violoncelo
Moniz Correia – guitarra portuguesa
Hermenegildo Galante – clarinete
Vitor Rodrigues – violino
Rabanal – bateria
Ricardo Dias – sintetizador

técnicos de som: José Fortes, Rui Novais, Jorge Barata, Luis Flor e F. Abrantes
(gravado no Angel Studio em Julho/Setembro de 1986, Abril de 1987 e Setembro de 1988)

Nos tempos em que se era obrigado a ver a RTP se se queria ver televisão, Zeca Medeiros submeteu a população portuguesa a várias séries e telefilmes transmitidos em horário nobre que, hoje em dia, não lembrariam ao diabo. Muita gente passou horas a olhar para planos com mais de 30 segundos, a ouvir falar num sotaque estranho e quase incompreensível, a olhar para paisagens lindíssimas dum sítio longínquo que se dizia ser Portugal, a acompanhar séries cujos últimos episódios não consistiam numa sequência interminável de casamentos.
Naqueles tempos pré-televisão-em-movimento, o Zeca Medeiros tratava os filmes que fazia nas palminhas, como se fossem a coisa mais importante do mundo, e essa dedicação transbordou para as suas bandas sonoras. Claro que ele já andava pelas coisas da música há algum tempo, tinha integrado os Construção e os Rosa dos Ventos, que editaram álbuns no início dos anos 80, e depois seguiu pela carreira a solo que melhor lhe conhecemos.
Sabendo recitar de trás para a frente os nomes de todos os compositores e intérpretes açoreanos, deve-lhe ter sido fácil convidar os melhores para estas três bandas sonoras, aqui reunidas e editadas num duplo LP, e ainda ir buscar mais uns quantos ao continente. Fica a ideia que nesta altura também devia haver dinheiro para excentricidades… O próprio Zeca e Luis Bettencourt dividem entre si a composição do maior número de temas.
O resultado é uma mescla de estilos que umas vezes ronda a música tradicional açoreana, outras o fado, outras a balada e outras ainda a canção perigosamente “ligeira”, em especial nos temas dos genéricos, com a voz jazzy da menina a provocar alguns ergueres de sobrolho. Mas a gente perdoa umas letras mais lamechas aqui e ali, uns arranjos mais foleiros de vez em quando, tal como perdoávamos os filtros violeta no céu dos Açores em Xailes Negros, porque sabemos que, no caso do Zeca Medeiros, aquilo vem mesmo tudo lá do fundo do peito.