quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Pedro Ayres Magalhães – O Ocidente Infernal / Adeus Torre de Belém (EMI-Valentim de Carvalho, 1985)



sacar

01. O Ocidente Infernal
02. Adeus Torre de Belém

Todos os instrumentos, arranjos e produção: Pedro Ayres Magalhães

Ainda há pouco tempo comentava no blog do Almirante Ramos que me falta a pachorra para o Pedro Ayres Magalhães (grande referência do Almirante e de todo o gang Amor Fúria), e que a melhor coisa que o badocha fez foi o disco do Corpo Diplomático. Agora fui ouvir este objecto, o maxi-single instrumental que ele gravou nos idos de oitenta e tal, e tenho de dar o braço a torcer. Nunca o Pedro Ayres meteu tanta distorção numa guitarra como naquele primeiro tema, O Ocidente Infernal, a menos que o tenha feito neste disco de Madredeus & a Banda Gósmica, o que me parece improvável (mas pronto, ainda não ouvi).
Sim, O Ocidente Infernal é um belo tema, e não tem grande paralelo no resto da obra do homem, que parece aqui querer tocar o que não queria ou não podia nas suas outras bandas. A referência mais óbvia será talvez o compincha Vinny Reily, que gravara pouco tempo atrás para a Fundação Atlântica do próprio Pedro Ayres e que o deve ter inspirado a gravar camadas sobre camadas de guitarras ao som de uma caixa de ritmos. No segundo lado (Adeus Torre de Belém) os pedais distorcentes já não se encontram, mas há gravações urbano-etnográficas de máquinas no Barreiro, local onde Pedro Ayres foi captar som prudentemente disfarçado de operário, sendo certa e sabida o afeição que a esquerdalha barreirense devotava aos Heróis do Mar.
É este disco, julgo eu, o canto do cisne da Fundação Atlântica, aqui já sem margem de manobra para editar o que quer que fosse, limitando-se a contra-capa a esclarecer que se trata de “uma produção da Fundação Atlântica para a EMI-Valentim de Carvalho”. De realçar, ainda na contracapa, a inclusão de uma foto de Pedro Ayres a fumar, na desaparecida tradição das contracapas com fotos de músicos a fumar, em que a mais célebre será provavelmente a de Blackground, do Duo Ouro Negro.