domingo, 26 de outubro de 2008

RIP ZShare

Parece que o ZShare não anda a funcionar como deve ser, por isso mudei todos os links para o MediaFire. Qualquer problema, usem os comentários como caixa de reclamações.

Alexandre Soares – Um Projecto Global (Polygram, 1988)



sacar

01. Luzes de Hotel
02. Hibernar
03. (Que) Ricos Dias
04. Fora de Casa
05. Respirar
06. Chambo
07. Uma Coisa
08. Meus Amigos
09. Vozes
10. Recordo-me?

Alexandre Soares – todos os instrumentos
+
Quico – programação da percussão (02., 03., 04., 07.), teclas (03., 08.)

Produção – Alexandre Soares

Quando, em 1986, Alexandre Soares saiu dos GNR, aqueles que o consideravam a centelha de génio por detrás da banda dedicaram-se à mais desavergonhada profecia: os GNR cairiam de imediato na mediocridade e Alexandre Soares daria início a uma fulgurante carreira a solo, pondo em prática a sua brilhante inventividade e produzindo obras, como se costuma dizer, “à frente do seu tempo”. Nem uma nem outra resultaram propriamente certas. Por um lado, Videomaria, o primeiro disco da banda sem Alexandre Soares, honrava o que os GNR tinham sido até então, com três canções, no mínimo, bastante decentes. Por outro, o LP de Soares “Um Projecto Global” não deixou a marca fulgurante que se esperava na pop nacional.
Não é que seja um mau disco, nem que o domínio das várias formas de tocar guitarra e de manipular o estúdio deixem de impressionar, mas o que sobra em virtuosismo e tecnologia falta em instinto cançonetista. Aquilo que este disco não tem são, realmente, as grandes canções. Aparte este ligeiro contratempo, temos de dar o braço a torcer ao apuro técnico de dez músicas gravadas em casa, em que Soares toca praticamente todos os instrumentos, compõe as músicas e quase todas as letras (Luzes de Hotel é de Pedro Aires Magalhães) e canta com aquela voz que, não sendo brilhante, é a única que tem. Um Projecto Global deixa-nos a ideia que Alexandre Soares podia ser uma das forças criativas por detrás dos GNR, mas que falta qualquer coisa para ser um músico pop auto-suficiente – lição que Soares parece ter levado à letra, dedicando-se desde então a produzir música para teatro e cinema, e não mais se aventurando nas cantigas. Talvez esteja na altura de fazer mais uma tentativa.