domingo, 25 de maio de 2008

Ban - Santa (EMI - Valentim de Carvalho, 1986)



sacar

1. Santa
2. Portugal
3. Ultramar

Paulo Artur Faro – bateria, percussões
João Ferraz – guitarras
Zézé Maria – guitarras
Francisco Monteiro – baixo
João Loureiro – vozes
+
Tomás Pimentel – trompetes (1.)
Nuno Rebelo – guitarra subtil (1.), estalos, palmas, gritos (2.)
Ricardo Camacho – sintetizadores (1.)
Amândio Bastos – estalos e palmas (2.)
Paula Sousa – piano (1. e. 2.), sintetizadores (3.), voz (1. e 3.)

Capa – António Olaio
Produção – Ricardo Camacho

Embora o sucesso só surgisse dois anos mais tarde com o LP "Surrealizar", “Santa” é já o terceiro disco dos Ban. Depois de lançar o primeiro single em 1983 sob a promissora designação “Os Bananas”, a banda de João Loureiro encurtou incompreensivelmente o seu nome e editou o MX-S “Alma Dorida” em 1984 e, dois anos mais tarde, este “Santa”. “Alma Dorida” era todo gabardines, shoegazing e reflexões sofridas sobre “a polis cinzenta de chuva fria”, mas “Santa” encontra a banda já um pouco mais animada, assumidamente pop, quase a convidar a um pezinho de dança. Até trompetes tem, meu Deus. O interesse vai todo para a parte instrumental e para o cuidado nos arranjos e nas contribuições dos músicos convidados – Nuno Rebelo, Tomás Pimentel, Ricardo Camacho, Paula Sousa – que acabam por transformar alguns temas aparentemente banais em coisas dignas de serem ouvidas. O papel do jovem Loureiro acaba por ser pequeno – um máximo de quatro versos mal cantados em cada música e umas letras bacocas – e deixa bem claro que a sua vocação era o seguir os passos do papá e não propriamente ser cantor. É no entanto de notar que nesta altura o rapaz tinha um ar mais apresentável e não ostentava barriga e papada, o que prova que a música é menos patogénica do que o dirigismo desportivo. Resumindo, “Santa” não é uma obra imprescindível, mas tem piada como exemplo da transição da fase mid-80’s, dominada pelo cinzentismo de inspiração britânica, para a criatividade transbordante late-80’s, da chamada música moderna portuguesa. Tivessem os Ban arriscado mais e talvez não fossem hoje só recordados quando se quer gozar com o Boavista.